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ATAQUES A JORNALISTAS DO ES PARTEM DE FIGURAS PÚBLICAS

Os ataques à imprensa, registrados em todo o Brasil, também atingem profissionais do Espírito Santo. Os jornalistas, responsáveis pela investigação e disseminação da informação em diferentes meios, têm sido vítimas de diversos tipos de violências, que envolvem intimidações, ameaças e até ataques físicos. Em solo capixaba, elas partem, na maioria das vezes, de figuras públicas ligadas à política e à administração pública.

02/11/2020 12h48
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Por: Dilman Lima Fonte: ESHOJE
ATAQUES A JORNALISTAS DO ES PARTEM DE FIGURAS PÚBLICAS

A Federação Nacional dos Jornalistas elabora, anualmente, o Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil. De acordo com o documento, em 2019, o Espírito Santo registrou sete casos de violência contra jornalistas.

Em todo o Brasil, 208 casos de ataque a profissionais da imprensa foram registrados.  Os números envolvem situações de descredibilização e agressões diretas aos profissionais.

O coordenador geral do Sindicato de Jornalistas do Espírito Santo, Douglas Dantas, explica que o perfil dos ataques a profissionais capixabas é político. Ele cita casos de deputados que se aproveitam da imunidade parlamentar para praticar crime de ódio e senadores que ameaçam profissionais por meio de mensagens privadas. “Esses são os casos que chegam ao Sindicato, mas muitos nem são registrados”, conta.

Em algumas situações, os ataques são revertidos por intimidações aos profissionais da imprensa, por meio da ameaça de processos judiciais. Douglas Dantas conta que, este ano, um secretário da administração pública entrou na Justiça contra dois jornalistas do interior do estado, após a publicação de reportagem que denunciava o envolvimento do funcionário público em um esquema irregular de licitações.

Rafael Bellan. Foto: divulgação

O doutor em Ciências Sociais e professor de jornalismo, Rafael Bellan, ressalta que as diferentes formas de violência e intimidação contra jornalistas são ferramentas utilizadas para tentar silenciar o pensamento crítico. “O jornalista é um alvo desses ataques porque ele é uma pedra no sapato do poder”, pontua.

Alguns ataques chegam ao extremo da violência. De acordo com um mapeamento do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), 64 casos de homicídios de comunicadores foram registrados no Brasil de 1995 a 2018. Os números foram contabilizados com base em dados de tribunais, polícias e Ministérios Públicos de todo o país.

Para a doutora em comunicação Ruth Cássia dos Reis, a violência contra profissionais de jornalismo não atenta somente contra a vida ou a honra dessas pessoas, mas também contra um dispositivo da esfera pública. “É preciso pensar a violência a jornalistas em algo contra a democracia e ao direito à informação correta”, ressaltou.

O ataque à democracia

Foto: Folhapress

As novas maneiras de ter acesso à informação fizeram com que muitas pessoas pudessem disseminar notícias, seja por meio das redes socais ou aplicativos de mensagens. No entanto, de acordo com Bellan, as pessoas ainda atribuem à imprensa um grau de credibilidade maior.

Os dados da Fenaj constataram que, em 2019, o presidente Jair Bolsonaro foi responsável por 114 casos de descredibilização da imprensa, por meio de ataques a veículos de comunicação e a profissionais, e outros sete casos de agressões verbais e ameaças diretas a jornalistas, totalizando 121 casos. De janeiro a setembro de 2020, o líder do Executivo realizou 299 ataques à imprensa.

Para o professor, o jornalismo garante a formação e a autonomia de indivíduos que possam participar da vida pública. “A imprensa é fundamental para qualquer um dos modelos de democracia que a gente possa vir a ter ou que possa construir”, concluiu.

Falta de direitos também é violência

A pandemia do novo conoavírus (Covid-19) ressaltou o corte de direitos dos jornalistas capixabas, segundo o presidente do Sindicato. De acordo com ele, a falta de diálogo e o surgimento de novas formas de contrato tem feito com que problemas sistemáticos sejam comunicados. “A gente tem entrado com várias medidas judiciais na justiça do trabalho”, conta.

Para Bellan, há um movimento de precarização da profissão, que pode ser vista por meio do rebaixamento salarial e a falta de necessidade de um diploma para atuação de jornalista, por exemplo. “Há um movimento constante de corrosão da profissão”, ressaltou.

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