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Política Geral

Alckmin vira réu por supostos pagamentos de 11,3 milhões da Odebrecht

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30/07/2020 23h18
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Por: Dilman Lima
Alckmin vira réu por supostos pagamentos de 11,3 milhões da Odebrecht

A Justiça Eleitoral de São Paulo aceitou nesta quinta-feira, 30, a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, do PSDB. Com a decisão do juiz Marco Antonio Martin Vargas, o tucano passa à condição de réu e será julgado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral, como é tipificado legalmente a prática de caixa dois.

Segundo a denúncia, baseada em delações premiadas e provas entregues por delatores da Odebrecht, o tucano recebeu 11,3 milhões de reais em dinheiro vivo da empreiteira nas eleições de 2010 e 2014. “Os relatos e provas de corroboração reunidos revelaram centenas de atos ilícitos praticados em favor de empresas do Grupo Odebrecht, incluindo o pagamento de forma dissimulada de vantagens a agentes públicos e financiamentos de campanhas eleitorais, em um sofisticado esquema de lavagem de capitais”, diz a denúncia, assinada pelos promotores Fábio Bechara, Everton Zanella, Luiz Ambra, João Santa Terra e Rodrigo Caldeira.

 

O Ministério Público afirma que em 2010, quando foi eleito governador de São Paulo, Geraldo Alckmin recebeu 2 milhões de reais da Odebrecht, aos quais teriam se somado mais 9,3 milhões de reais em 2014, quando conseguiu a reeleição. O dinheiro não foi registrado nas prestações de contas de Alckmin à Justiça eleitoral, o que configura o crime de falsidade ideológica eleitoral, mais conhecido como caixa dois.

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Os promotores paulistas sustentam que o dinheiro destinado a Alckmin foi encaminhado pelo setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, responsável pelo pagamento de propinas e caixa dois a políticos dentro da empreiteira, por meio de doleiros. O codinome relacionado ao ex-governador nas planilhas do setor de propinas era “Belém”.

A denúncia afirma que os montantes se destinavam, além do financiamento eleitoral do tucano, a “manutenção da influência” da Odebrecht junto a seu governo. Por ser controladora de uma concessionária que administra a rodovia estadual Dom Pedro I e ter participado do consórcio que construiu a linha 6 do metrô, a empresa não poderia fazer doações eleitorais oficiais.

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